Crítica filme Netflix: 365 Dias

365 Dias: Thriller erótico da Netflix não oferece muito além do sensacionalismo e do humor involuntário

Que casamento infeliz o de 365 Dias, filme da Netflix que junta a cultura sugar daddy de 50 Tons de Cinza com as violências reminiscentes do tráfico sexual do Leste Europeu. O suspense erótico está entre os mais vistos do serviço e rapidamente gerou uma frente de reações ultrajadas, por sua romantização do abuso. Não deixa de ser um casamento de conveniência, por infeliz que seja: a Netflix faz de conta que oferece variedade com um mínimo de critério (a produção é polonesa então talvez tenha pelo menos um valor de exotismo) e quando o público repercute em massa o conteúdo de impacto valida-se nas redes a escolha da curadoria.

 

O mais interessante nesse caso é que, tirando pleno proveito dessa tendência à escandalização, 365 Dias não precisa articular nem oferecer muito: é um filme de máfia sem rivais, e um filme de sexo sem muito sexo. Assim como A Serbian Film dez anos atrás, ele praticamente prescinde de qualquer formulação mais trabalhada; sua força vem do sensacionalismo, que por definição não precisa de um fato relevante que o preceda, pois o sensacionalismo é um fim em si mesmo.

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