Turismo brasileiro caminha para recorde histórico no verão de 2026

Turismo brasileiro caminha para recorde histórico no verão de 2026 

O setor de turismo no Brasil apresenta indicadores de crescimento robustos para o ano de 2026. De acordo com os dados mais recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a alta temporada de verão (entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026) deve movimentar R$ 218,77 bilhões na economia nacional. O valor representa um aumento real de 3,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior e estabelece o maior patamar financeiro para o setor desde o início da série histórica, iniciada em 2013.

Estatisticamente, o período do verão concentra aproximadamente 44% de toda a receita anual do turismo no Brasil. Em períodos de alta demanda, a incidência de problemas operacionais na malha aérea tende a subir, e o passageiro deve estar ciente da Resolução nº 400 da ANAC. Caso ocorra um atraso de voo superior a 2 horas, as companhias aéreas são obrigadas a fornecer assistência material, o que inclui alimentação e meios de comunicação. Após 4 horas de atraso, o direito se estende à hospedagem e transporte, garantindo que o impacto financeiro e o desconforto do viajante sejam minimizados conforme a legislação vigente.

A performance atual do setor consolida uma trajetória de recuperação iniciada após a crise sanitária de 2020. Enquanto naquele ano a atividade encolheu 36,7%, os dados de janeiro de 2026 confirmam que o faturamento real do turismo brasileiro já se encontra 13% acima do patamar pré-pandemia. Este desempenho é atribuído a fatores econômicos mensuráveis: a manutenção de níveis elevados de emprego no país, a estabilidade de preços em serviços essenciais e as condições climáticas favoráveis que impulsionam os destinos de sol e praia, principais motores da receita no período.

Mercado de trabalho e empregabilidade 

O impacto do turismo no mercado de trabalho em 2026 é quantificável através das projeções de contratações temporárias. O segmento de alimentação lidera a geração de postos de trabalho, concentrando mais de 70% das vagas previstas, o que equivale a 61,4 mil novos vínculos. O setor de transportes aparece em segundo lugar, com uma expectativa de 12,2 mil contratações, seguido pela hospedagem, com 10 mil vagas.

Além do volume de vagas, os dados apontam para uma melhoria na remuneração. O salário médio de admissão para o setor de turismo neste verão está estimado em R$ 1,9 mil. O valor representa um incremento de 5,8% em relação ao registrado no verão de 2024/2025, indicando um ganho real acima da inflação do período e uma maior valorização da mão de obra especializada em serviços de hospitalidade. 

Fluxo internacional e o Plano Brasis

No âmbito internacional, o Brasil atingiu em 2025 a marca histórica de 9,3 milhões de turistas estrangeiros. Para sustentar e expandir esse número em 2026, a Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) implementou o Plano Brasis. Com base em inteligência de dados, o plano visa orientar a promoção do país no mercado global.

As diretrizes do Plano Brasis definem mercados prioritários e segmentos estratégicos a partir do cruzamento de dados sobre conectividade aérea e comportamento de busca dos viajantes. A estratégia foca na ampliação de voos internacionais e na gestão eficiente de modais, visando tornar o Brasil um destino mais competitivo em termos de custo e acessibilidade. O uso de Big Data permite identificar, por exemplo, o aumento do interesse por rotas cinematográficas, como as locações do filme O Agente Secreto, apoiadas pela agência para atrair um nicho específico de visitantes de alto poder aquisitivo. 

Recuperação do turismo e novos perfis de viajantes 

Globalmente, o turismo em 2026 reflete a consolidação da recuperação total do setor. Dados da Organização Mundial do Turismo (OMT) indicam que chegadas internacionais em diversas regiões do globo já superam os níveis de 2019. O crescimento não é apenas volumétrico, mas também estrutural, com o setor operando sob novas métricas de integração tecnológica e sustentabilidade

As projeções globais para 2026 destacam três fatos centrais:

  1. Digitalização da jornada: a implementação de biometria e check-ins automatizados reduziu o tempo de processamento de passageiros em 30% nos principais hubs mundiais.
  2. Turismo regenerativo: destinos que implementaram taxas de sustentabilidade e limites de carga de visitantes registraram um aumento na satisfação do turista e na preservação de ativos naturais.
  3. Economia da experiência: houve um aumento de 15% nos gastos per capita de turistas que buscam imersão cultural e gastronomia local em detrimento do turismo tradicional de compras. 

Segmentação de receita no verão brasileiro 

Para compreender a magnitude dos R$ 218,8 bilhões projetados para o verão brasileiro, é necessário observar a distribuição dessa receita entre os estados. São Paulo e Rio de Janeiro continuam sendo os principais polos de movimentação financeira, mas estados do Nordeste apresentam as maiores taxas de crescimento percentual em ocupação hoteleira, impulsionados pela melhora na infraestrutura regional e novos voos diretos de mercados europeus e americanos.

A receita turística não beneficia apenas os grandes nomes do turismo. O faturamento é distribuído por uma vasta cadeia que inclui pequenos produtores de alimentos, artesãos e guias locais. A CNC estima que para cada R$ 1,00 gasto em hospedagem, outros R$ 3,50 circulam na economia local através de serviços diversos, gerando um efeito multiplicador que é vital para centenas de municípios brasileiros que têm no turismo sua principal atividade econômica.

O impacto do calor extremo e o surgimento do refúgio climático 

Dados do IBGE indicam que, embora o litoral ainda retenha 44,6% das motivações de lazer, o calor extremo registrado em 2025 (o maior da série histórica) forçou uma reconfiguração no perfil do viajante. Rodrigo Borsatto, coordenador de Gestão em Turismo da UNIASSELVI, aponta para a emergência do “refúgio climático”, onde o turista passaria a evitar destinos com sensação térmica constante acima de 40°C.

Essa mudança de comportamento, inicialmente observada em famílias com crianças e idosos, exige que destinos tradicionais adaptem sua infraestrutura com investimentos urgentes em sombreamento, áreas verdes e ventilação para manter a atratividade diante de um verão cada vez mais hostil.

Nesse contexto, surge uma nova possibilidade econômica para as regiões serranas do Sul e Sudeste, que passam a operar uma “segunda alta temporada” fora do inverno. O deslocamento da demanda reprimida do litoral para as altitudes cria oportunidades inéditas no enoturismo, na gastronomia de clima ameno e no mercado do “entretenimento gelado”, como bares de gelo e parques de neve artificial.

Para os municípios de serra, essa transição reduz a sazonalidade histórica e amplia o faturamento anual; para o setor como um todo, a capacidade de oferecer conforto térmico e inovações lúdicas contra o calor define quem conseguirá reter receita e competitividade em um cenário de aquecimento global acelerado.

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